Agricultura Pecuária/Pará
Vozes da Pecuária, tem embaixador da região para levar demandas do Pará para movimento nacional
Os embaixadores territoriais partem para uma fase de interlocução local com representantes de entidades, governos e empresas a partir de uma ampla reflexão sobre a realidade de quem produz e os desafios para a pecuária do futuro.
17/10/2026 10h40
Por: Redação Fonte: Assessoria de Imprensa / Flag Comunica

A partir de uma trajetória de diálogos, escutas e construção coletiva com produtores em diferentes regiões do país, o Vozes da Pecuária avança para uma nova etapa: transformar os desafios identificados no campo em agendas concretas de interlocução com governos, mercado e sociedade. a consolidação das agendas foi marcada por um encontro nacional, em Brasília, DF, no último mês.

A região de Marabá e Paragominas, chamada de território Amazônia Oriental Paraense,  foi representada pelo pecuarista  Samuel Aguiar Melo, embaixador local, e Mauro Lúcio Costa, pecuarista e membro do comitê gestor Vozes da Pecuária. Seu território representa 34.470 km2, com 1,68 milhões de cabeças de bovinos e um Valor Bruto da Produção Agropecuária (VPB) estimado em R$ 2,27 bilhões.

Para o território, entre as prioridades identificadas está a gestão orientada por indicadores; regularização fundiária, ambiental e sanitária ainda complexa; representação produtiva; rastreabilidade, maior acesso a exportação e conversão de valor da origem amazônica. 

O encontro marcou a conclusão de uma etapa que começou há um ano, com o levantamento de demandas de pecuaristas. Foram rodas de conversa realizadas em sindicatos, propriedades e comitivas permitiram que os próprios pecuaristas trouxessem seus desafios, discutissem as causas e identificassem o que precisa avançar dentro do setor.

Uma agenda construída pelos produtores
O Vozes da Pecuária partiu da proposta de que os próprios pecuaristas sistematizassem suas demandas em uma metodologia comum que organizou as particularidades dos dados e diagnósticos sem tratar a pecuária brasileira como uma atividade homogênea. O projeto assumiu também o compromisso de compreender as realidades territoriais e, a partir delas, projetar a pecuária do futuro, identificando os principais desafios e entraves que precisam ser superados para que essa transformação aconteça.

Nesse exercício, uma constatação ganhou relevância: em grande parte dos territórios, os principais entraves à transformação da atividade estão associados a condicionantes não tecnológicas. Embora o acesso ao crédito, à assistência técnica e ao conhecimento seja fundamental, os diagnósticos revelaram que a adoção de tecnologias depende, muitas vezes, da superação de obstáculos estruturais e institucionais.

Entre esses obstáculos, a segurança jurídica relacionada às questões ambientais e fundiárias apareceu de forma recorrente. Os produtores relataram demora em processos, divergências de interpretação e situações nas quais notificações e embargos podem comprometer crédito e novos investimentos.

A infraestrutura e a mão de obra também se destacaram, com desafios que assumem diferentes características conforme o território. Uma demanda por infraestrutura, por exemplo, pode representar a necessidade de uma ponte para escoar a produção em determinada região e, em outra, a dificuldade para receber maquinário ou insumos necessários à recuperação de pastagens. Já os desafios relacionados à disponibilidade e à qualificação da mão de obra incluem a sucessão rural, que pode envolver tanto a decisão dos filhos de permanecer no negócio quanto a falta de escola, saúde e outros serviços que permitam às famílias continuar no campo.

Os embaixadores territoriais partem para uma fase de interlocução local com representantes de entidades, governos e empresas a partir de uma ampla reflexão sobre a realidade de quem produz e os desafios para a pecuária do futuro. A próxima etapa será priorizar as bandeiras de cada território e ampliar a interlocução com os atores que podem participar das soluções.

Nesta primeira fase, o Vozes da Pecuária reúne dez territórios presentes em oito estados, que somam cerca de 19,13 milhões de cabeças de bovinos em 640 mil km². A divisão territorial e a nomenclatura foram definidas pelo próprio movimento a partir das características e da vocação pecuária de cada região. 

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