Geral TURISMO RELIGIOSO
Secretaria de Estado de Turismo premia vencedores de concurso de ornamentação do Círio Fluvial
Concurso reconhece a criatividade de embarcações que homenagearam a Padroeira da Amazônia e impulsionaram o turismo na quadra nazarena
22/10/2026 17h21
Por: Redação Fonte: Secom Pará

A tradição e a fé que marcam a quadra nazarena foram celebradas nesta quinta-feira (22), durante a entrega do Prêmio Carlos Rocque, promovido pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur). A iniciativa reconhece as embarcações que participam do Círio Fluvial e se destacam pela ornamentação e pelo cumprimento dos critérios estabelecidos no regulamento. Em sua 39ª edição, o concurso premiou os três primeiros colocados das categorias A e B, além dos respectivos decoradores.

O secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), Emílio Bernardo Ramos, destaca que o Prêmio Carlos Rocque é uma iniciativa que fomenta o turismo religioso, valoriza as embarcações presentes no Círio Fluvial, além de reconhecer o empenho dos envolvidos na ornamentação das embarcações.

“O Prêmio Carlos Rocque valoriza a tradição, a fé e a criatividade que fazem do Círio Fluvial uma manifestação tão singular da cultura paraense. Cada embarcação traz consigo histórias de devoção, dedicação e amor à Nossa Senhora de Nazaré. Ao reconhecer esse trabalho, fortalecemos nossa identidade cultural e valorizamos o turismo religioso como um importante instrumento de promoção do Pará. É uma celebração que une tradição e inovação, projeta a cultura amazônica para o Brasil e para o mundo”, ressaltou.

Em 2026, o design do troféu do Prêmio Carlos Rocque ganhou destaque especial ao apresentar uma releitura do Altar-Mor da Basílica Santuário de Nazaré, conhecido como Glória, onde está a imagem original de Nossa Senhora de Nazaré, encontrada pelo caboclo Plácido. A peça foi confeccionada em metal polido, em tons dourados, com resplendores em formato de raios e um círculo vazado formado por nuvens e anjos. Ao centro, a representação da Rainha da Amazônia e Padroeira do Pará coroa a composição.

Idealizada em 1986 pelo jornalista, historiador e então presidente da Companhia Paraense de Turismo (Paratur), Carlos Rocque, a Romaria das Águas surgiu para homenagear a Rainha da Amazônia Nossa Senhora de Nazaré e ainda fomentar o turismo religioso.

Categoria A

Na categoria A, destinada às embarcações regionais, geralmente construídas em madeira ou aço, com dois ou três conveses e utilizadas no transporte de passageiros para diferentes localidades da Amazônia, os vencedores foram ‘Cidade de Terra Santa’, em primeiro lugar; Cidade de Santarém II, em segundo e embarcação Tubarão, em terceiro.

Para Alice Mendes, representante da embarcação Cidade de Terra Santa, receber o prêmio tem um significado especial, que vai além da conquista do primeiro lugar. “Acho esse prêmio muito significativo, não só por termos ganhado, mas por todo o trabalho que existe por trás, por todo o carinho, pela concepção e toda a fantasia. Com a nossa decoradora, todo ano a decoração é mais linda que a anterior, então temos que agradecer a ela também. Para esse ano usamos balões, tecidos e outros elementos que simbolizam a Rainha da Amazônia”, destacou.

Edna Rocha, representante da embarcação Cidade de Santarém II, ressaltou que a empresa participa do Círio Fluvial há mais de 20 anos e que a embarcação já conquistou o Prêmio Carlos Rocque em outras edições. “Temos o maior prazer de atuar no Círio Fluvial e estamos felizes pelo prêmio. O Círio significa amor, fé, trazer essas pessoas para dentro do barco e que elas possam levar essa memória para as suas casas, para os seus estados, para os seus países e que elas possam realmente ver o que é a fé de verdade”, afirmou.

Categoria B

A categoria B contempla outros tipos de embarcações, como ferry-boats, balsas, empurradores, iates, lanchas, veleiros e pesqueiros. Nesta edição, o primeiro lugar ficou com a embarcação Ana Beatriz VIII, seguida por Borari I, em segundo lugar, e Madalena Lobato, em terceiro.

A decoração da embarcação Ana Beatriz VIII foi inspirada nas cores e nos elementos visuais do manto de Nossa Senhora de Nazaré. Segundo Cristiano Viana, decorador da embarcação, a proposta é valorizar os símbolos da devoção mariana e garantir que o barco se destaque durante a procissão.

“Os elementos que nós usamos sempre são as cores do manto. Esse ano, mais uma vez, usamos o verde, o rosa, o amarelo e o branco. Sempre pensamos em boas características, como o manto e uma frase, para deixar o barco bem chamativo. Todos os anos fazemos isso. Já é a quarta vez que venho receber o prêmio, e eles estão representando hoje; este ano é a 15ª edição deles”, explicou.

Antônio Sampaio Neto, representante da Embarcação Borari I, conta que já é a terceira edição que a embarcação é premiada com o troféu Carlos Rocque. “Esse prêmio significa muito para toda a equipe, estamos muito gratos. Estávamos todos ansiosos na empresa. Então o significado é de muita emoção de receber um prêmio que cada vez mais está evoluindo. Lembro que eu recebi um ainda de cerâmica, tão lindo e valioso, mas bem artesanal. E a gente percebe o cuidado, o carinho que a Secretaria tem tido de evoluir com esse concurso. Então a gente fica muito gratificado e lembrando sempre agradecendo a Deus e toda a tripulação que magistralmente conduz. Não é fácil, são centenas de embarcações, mas sempre Maria está com certeza protegendo para que haja tudo com tranquilidade”, comenta.

Os representantes da embarcação Madalena Lobato também celebraram a conquista, esta foi a primeira vez que recebeu o Prêmio Carlos Rocque. “A decoração foi muito pensada com muito carinho. Buscamos trazer algo contemporâneo misturado com algo rústico, que trouxesse essa afetividade religiosa. Trouxemos uma decoração bem elegante, bem afetiva mesmo, que tocasse as pessoas que fossem chegar naquele lugar e que esperavam esse momento especial. Os balões foram orgânicos, as flores naturais que compuseram ali as mesas dos convidados. Usamos as imagens sublimadas com a temática do Círio, com a Santa e ficou algo bem legal, bem lindo e graças a Deus nós conseguimos capturar isso e vencer", comemorou a decoradora Renata Santana.

Avaliação das embarcações

Durante o Círio Fluvial, realizado no sábado (10), cinco profissionais com experiência em diferentes áreas do conhecimento e da comunicação foram responsáveis pela avaliação das embarcações.

O júri foi composto por Aldrin Figueiredo, professor doutor em História e docente da Faculdade de História e do Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia da Universidade Federal do Pará (UFPA); Sônia Vieira, professora doutora em Ciências Sociais, com ênfase em Antropologia pela UFPA; Cláudio Guimarães, radialista e comunicador esportivo; Ageíse Navarro, jornalista e bacharel em Direito; e Antônio José de Souza, estilista, integrante da Guarda de Nossa Senhora de Nazaré e bordador de mantos. Entre os critérios avaliados estavam a ornamentação religiosa, a postura e a disciplina da tripulação, a pontualidade, o cumprimento do percurso e a segurança da navegação.

O professor Aldrin Figueiredo destacou a dimensão do Círio de Nazaré e a importância do prêmio para o reconhecimento da procissão fluvial como uma expressão da cultura amazônica. “O prêmio é um reconhecimento ao Círio de Nazaré, uma festa absurda. A gente costuma representar o Círio como uma dinâmica nacional, mas o Círio tem uma representatividade mariana global. E hoje nós estamos falando de turismo, estamos na Secretaria de Turismo, então estamos falando para o mundo. Das procissões, talvez a procissão fluvial seja a que está mais engrenada ao universo amazônico, uma procissão das águas”, avaliou.

Para o professor, a premiação também evidencia a capacidade do Círio de conciliar tradição e inovação. “Essa criação, esse reconhecimento, e que hoje recebe uma premiação tem todo esse nexo com a própria história do Círio. Eu fico, como jurado, orgulhoso e agradecido de ter participado. A premiação, ao mesmo tempo, se volta para a tradição e também para a inovação. O Círio é um pouco tradição e um pouco modernidade, e essa premiação veio confirmar e exaltar esse aspecto da procissão fluvial”, acrescentou.

Antônio José de Souza, estudante de moda, decorador de mantos e também integrante do júri, ressaltou a beleza das embarcações e a importância da premiação para preservar a memória de seu idealizador.

“Acho muito lindo. Eu já era apaixonado pela Romaria Fluvial. Hoje, vendo mais de perto e conhecendo bem mais do seu fundador, achei fascinante. Acho que essa premiação nunca mais pode parar, porque é uma forma de homenagear e manter viva a memória de seu fundador. As embarcações estavam lindas, e conhecemos bem de perto o trabalho que elas têm e a busca por fazer o novo e homenagear a dona da festa, que é Nossa Senhora de Nazaré”, afirmou.

O jurado também destacou a presença de elementos regionais nas ornamentações, como balões, plantas e flores típicas da Amazônia.

Texto: Sâmia Maffra / Ascom Setur