Na manhã de quarta-feira, 29 de janeiro, foi realizada uma reunião no Posto de Saúde Padre Pio, anexo à Igreja dos Capuchinhos, para alinhamento final do funcionamento do Centro que passará a ofertar atendimentos especializados voltados a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e suas possíveis comorbidades. A iniciativa é resultado de uma articulação entre a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a Secretaria Municipal de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários (Seaspac) e a Igreja dos Capuchinhos, com apoio de profissionais voluntários.
Os atendimentos terão início no começo de fevereiro e irão fortalecer a rede de cuidado, ampliando o acesso a serviços especializados para famílias que enfrentam dificuldades diagnósticos e para acompanhamento contínuo nas áreas do desenvolvimento infantil e da saúde mental.
Para a primeira-dama Lanúzia Lobo o início dos atendimentos representa um passo importante para assegurar acompanhamento contínuo e humanizado a crianças e adolescentes que necessitam desse suporte, fortalecendo a rede de proteção social e de saúde no município.
“A gente está muito feliz e a gente não vê a hora das crianças começarem a ser atendidas pela equipe multiprofissional, de forma interdisciplinar. São muitos atendimentos, muitas famílias afetadas, beneficiadas de fato com todo esse projeto, com essas intervenções”, destacou a primeira-dama.
O Centro terá capacidade para realizar mais de 300 atendimentos mensais, com consultas e acompanhamentos realizados por profissionais especializados. Estão previstos atendimentos com pediatra e neuropediatra, ambos com até 128 atendimentos mensais, além de terapia ocupacional (20 atendimentos), fonoaudiologia (24 atendimentos), psicologia (25 atendimentos), neuropsicologia (25 atendimentos) e psicopedagogia (35 atendimentos). Cada atendimento terá duração média de 50 minutos, permitindo um acompanhamento mais qualificado e individualizado.
A coordenadora de projetos da Igreja dos Capuchinhos, Lenice Vieira, falou da parceria com o poder público e o papel da instituição no acolhimento das famílias.
“Surgiu a oportunidade de abraçarmos esse projeto com a gestão, que abraçou com a gente também, vendo a necessidade que o município de Marabá enfrenta, a equipe já está completa, já passamos pelas etapas mais difíceis e agora é realmente iniciar nossos trabalhos. Nosso papel aqui é ampliar esse atendimento especializado para mais famílias com dedicação”, expôs.
Para ter acesso ao serviço, as famílias deverão procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência, onde será realizada a regulação e, posteriormente, o encaminhamento ao Centro. O processo segue os fluxos já existentes na rede pública de saúde, garantindo organização e transparência no acesso como explica Paula Rabelo, coordenadora de Saúde Mental da SMS.
“A família deve buscar a UBS de referência, essa UBS vai fazer os primeiros atendimentos e depois ele vai fazer o encaminhamento para o especialista, onde a família vai procurar a regulação municipal, que fica localizada no prédio do CEI, em frente à Secretaria Municipal de Saúde. Após a regulação, a gente faz o encaminhamento para os capuchinhos, onde serão feitos os atendimentos, ou para investigação, para ser laudado, ou os pacientes que já são laudados para a terapia”, explica a coordenadora.
Entre os documentos necessários estão: RG e CPF da criança ou adolescente, certidão de nascimento, Cartão Nacional de Saúde, RG e CPF do responsável legal, comprovante de inscrição no CadÚnico, comprovante de endereço, laudo médico com CID, quando houver, além de termo de guarda ou curatela, nos casos aplicáveis, e declaração de matrícula regular e Atendimento Educacional Especializado (AEE), quando existente.
O público-alvo do projeto são crianças de 0 a 11 anos e adolescentes de 12 a 14 anos, podendo se estender até os 18 anos, em busca do diagnóstico ou das terapias para TEA, TDAH, TOD e possíveis comorbidades associadas.
Inicialmente, terão prioridade no atendimento as famílias com renda bruta mensal de até um salário mínimo, seguidas por aquelas com renda de até dois salários mínimos e, posteriormente, famílias com renda de até três salários mínimos. A partir dessa classificação, o serviço social realizará uma avaliação detalhada da condição socioeconômica do grupo familiar, considerando o diagnóstico apresentado e os critérios estabelecidos pelo projeto. Também será verificado se a criança ou adolescente já está vinculada a outro serviço de reabilitação, público ou privado, informação que será utilizada como elemento complementar no processo de inclusão.
Lúcia Nogueira que é neuropsicóloga voluntária destacou a importância do atendimento especializado desde a infância e o impacto positivo do acompanhamento contínuo no desenvolvimento das crianças e adolescentes.
“E o nosso papel hoje é diagnosticar e acompanhar. Quanto mais cedo esse atendimento é iniciado, melhor são os resultados a serem alcançados, através de uma terapia, através das sessões que serão organizadas, planejadas com esse paciente, para que ele se desenvolva cada vez mais”, declarou a profissional.
A permanência no projeto estará condicionada ao monitoramento da frequência nos atendimentos, com acompanhamento semanal. Em casos de faltas recorrentes, a equipe entrará em contato com a família para compreender a situação apresentada, realizar os devidos esclarecimentos e evitar a exclusão, garantindo o uso responsável dos recursos disponíveis. Outro critério fundamental é a adesão da família ao plano terapêutico, elaborado pela equipe multiprofissional, incluindo a participação no treino parental, considerado parte essencial do processo de acompanhamento.
Com início previsto para o começo de fevereiro, o Centro representa um avanço importante na ampliação do cuidado especializado para crianças e adolescentes com TEA, TDAH e TOD no município, fortalecendo o apoio às famílias e promovendo um atendimento mais próximo, organizado e acessível à população.
Texto: Derik Lopes
Fotos: Bill Washington
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