Educação Marabá - PA
Maio Laranja: Rede de proteção faz ação educativa contra violência sexual na Escola João Anastácio de Queiroz
As atividades integram a campanha municipal coordenada pela Seaspac, levando informação e conscientização diretamente às salas de aula para alertar...
19/05/2026 17h30
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Marabá - PA

As atividades integram a campanha municipal coordenada pela Seaspac, levando informação e conscientização diretamente às salas de aula para alertar crianças e adolescentes.

A Secretaria de Assistência Social, Proteção e Assunto Comunitários (Seaspac), segue intensificando as ações da campanha Maio Laranja. Após a abertura oficial na Câmara Municipal e a realização do “Dia D” em polos como Morada Nova, São Félix e Velha Marabá, as equipes técnicas do Creas e do Cras Nova Marabá levaram a programação nesta terça-feira, 19, para a Escola Municipal João Anastácio de Queiroz. O objetivo principal é dialogar diretamente com os estudantes sobre a prevenção e o combate à violência e à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Durante a ação com as turmas do 5º ano, os profissionais utilizaram ferramentas pedagógicas lúdicas, como bonecos estruturados para explicar as partes do corpo que não podem ser tocadas, além da música oficial do projeto “Faça Bonito”. A equipe também resgatou o contexto histórico da data, relembrando o caso da menina Araceli Crespo, assassinada há 53 anos, crime que deu origem ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado em 18 de maio.

A equipe técnica destaca a importância de adaptar a linguagem para fortalecer a proteção. Francirlene Santos, assistente social do Cras Nova Marabá, ressalta que reflexões recentes em capacitações da rede direcionaram o uso preferencial do termo “violência sexual” em vez de “abuso”, por entender que a palavra abuso pode sugerir erroneamente a existência de um limite permitido.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Francirlene Santos, assistente social do Cras Nova Marabá

“Nós sentimos que a sociedade, a cada ano que passa, se envolve mais e está mais consciente. Educação sexual não é responsabilidade somente das famílias. É responsabilidade da escola, de toda a sociedade e dos equipamentos que compõem a rede social e judicial, como o Cras e o Creas”, pontua a assistente social.

A profissional detalha ainda o fluxo de atendimento da rede municipal: quando uma violação de direito é identificada, a criança é acolhida pelo Conselho Tutelar e encaminhada para o acompanhamento familiarizado e especializado realizado pelo Creas.

A integração entre os órgãos socioassistenciais e a comunidade escolar é apontada como fundamental para identificar possíveis sinais de violência e oferecer canais seguros de denúncia. Marcia Silva, pedagoga do Creas Nova Marabá, explica que o trabalho traz o enfoque na autonomia dos estudantes.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Marcia Silva, pedagoga do Creas Nova Marabá

“O público desses agressores são as crianças. Nós temos que alertá-las principalmente para verem os sinais, fugirem dessa situação e relatarem até para os pais. As crianças fizeram perguntas e nós tiramos todas as suas dúvidas”, afirma Márcia.

Na rotina escolar, o tema já faz parte do planejamento pedagógico. A professora do 5º ano da Escola João Anastácio de Queiroz, Jéssica Neves, explica que a instituição desenvolve sequências didáticas específicas, integradas à disciplina de Ciências, promovendo rodas de conversa sobre autoproteção.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Jéssica Neves, professora

“A gente sabe que isso acontece cotidianamente na realidade deles. Então eles precisam dessas informações para que saibam o que fazer se em algum momento acontecer, estando preparados para tomar as atitudes corretas, conversar com alguém ou discar o 100”, destaca a educadora.

A resposta dos alunos demonstra a eficácia das abordagens preventivas em sala de aula. O estudante Lucas Matheus Botelho, 10 anos, demonstra clareza sobre os ensinamentos transmitidos.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Lucas Matheus Botelho, estudante

“Eu já aprendi sobre a violência sexual e tenho que garantir que nenhum adulto toque nas partes íntimas do corpo. O desenvolvimento tem que ser de forma segura e protegida”, relatou o aluno.

A colega de turma, Pietra Hadassa, também destaca como aprendeu a identificar toques desconfortáveis e agressivos.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Pietra Hadassa e seus colegas de turma

“Eu acho que na hora tenho que falar: ‘O que você está fazendo? Eu não dei autorização para você estar tocando em mim’. E falar para meus pais, para a professora, diretora ou alguém que eu tenha muita confiança”, afirma Pietra.

A Seaspac ressalta que, embora o Maio Laranja concentre uma mobilização maior da sociedade civil e do poder público, as temáticas de enfrentamento às violências sexuais e os riscos do uso da internet são trabalhadas continuamente ao longo de todo o ano nos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) executados em todos os Cras do município.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Texto: Fabiana Alves
Fotos: Paulo Sérgio Santos

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