A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), por meio da Coordenação Estadual de Saúde da Criança (CESAC/DPAIS), realizou nesta segunda-feira (29) o Fórum Estadual do Programa de Triagem Neonatal Biológica: “Do Teste do Pezinho à Medicina de Precisão: 25 anos do PNTN no SUS”, no auditório do Centro de Treinamento e Educação em Saúde (CTES) da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará.
Realizado durante o Junho Lilás, mês de conscientização sobre o Teste do Pezinho, o encontro reuniu gestores, profissionais da saúde, especialistas e representantes da rede de atenção materno-infantil para discutir os avanços, desafios e perspectivas da triagem neonatal no Estado.
A programação contou com apresentação do Coral Saúde e Vida da Fundação Santa Casa e abertura com o painel “O Programa de Triagem Neonatal no Pará”, que abordou a trajetória histórica da política pública e sua evolução até os dias atuais.
Responsável pela coordenação estadual da Saúde da Criança, Ana Guzzo destacou que o teste do pezinho representa muito mais do que um exame laboratorial: trata-se de uma estratégia estruturante de cuidado integral à criança.
“O teste do pezinho é apenas a porta de entrada. Quando falamos em triagem neonatal, estamos falando de uma rede organizada que envolve diagnóstico precoce, confirmação, tratamento e acompanhamento permanente dessas crianças. O objetivo é garantir que nenhuma criança perca a oportunidade de iniciar o cuidado no momento certo”, afirmou.
Durante a apresentação, a coordenadora relembrou a construção histórica do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), instituído oficialmente em 2001 pelo Ministério da Saúde. No mesmo ano, o Pará foi habilitado na primeira fase do programa e, desde então, ampliou progressivamente sua capacidade de rastreamento de doenças.
Com a atualização promovida pela Lei Federal nº 14.154/2021, o programa passou a expandir o número de condições rastreadas e avançar para um modelo cada vez mais orientado pela medicina de precisão e pela intervenção precoce.
Atualmente, o Pará conta com 1.064 postos de coleta ativos distribuídos nos 144 municípios. Em 2025, foram realizadas 97.227 triagens neonatais, alcançando 81,51% de cobertura entre os nascidos vivos do estado.
Segundo Ana Guzzo, alcançar bons resultados depende diretamente da atuação integrada entre atenção primária, laboratórios, serviços especializados e municípios.
“Existe uma janela de oportunidade muito importante entre o terceiro e o quinto dia de vida para realização do teste. Estamos correndo contra o tempo para identificar precocemente condições que podem causar sequelas permanentes quando o diagnóstico e o tratamento não acontecem no momento adequado”, reforçou.
A responsável pela rotina de acompanhamento das crianças no Serviço de Triagem Neonatal, Marune Távora, explicou que o programa funciona como uma linha contínua de cuidado. “O exame inicial não fecha diagnóstico. Quando há alteração, inicia-se imediatamente uma mobilização entre laboratório, município, regional de saúde e serviço de referência para localizar a criança, confirmar o diagnóstico e iniciar o acompanhamento. Essa busca ativa é responsabilidade compartilhada entre todos os envolvidos”, explicou.
Ela destacou que o Serviço de Referência em Triagem Neonatal realiza acolhimento humanizado e acompanhamento multiprofissional das famílias. “A criança que chega ao serviço passa por avaliação com equipe multidisciplinar, envolvendo pediatria, psicologia, nutrição e serviço social. O cuidado não termina no diagnóstico — ele continua no acompanhamento e no suporte às famílias”, afirmou.
Entre os agravos acompanhados pelo programa estão fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita.
Também durante o fórum, a coordenadora do Laboratório Central do Estado (Lacen), Rosilene Mesquita, destacou o papel estratégico da qualidade laboratorial para garantir a efetividade da política.
“O objetivo do teste do pezinho é prevenção. Quando a coleta acontece fora do tempo ideal ou a amostra demora a chegar ao laboratório, perdemos oportunidade de diagnóstico precoce. Por isso, todas as etapas precisam funcionar de forma integrada”, explicou.
Rosilene também ressaltou os desafios logísticos enfrentados pelo Pará devido às características territoriais da Amazônia. “Nossa realidade exige adaptação permanente. Temos municípios com longas distâncias e rotas que envolvem rios e diferentes modais de transporte. Construímos estratégias adequadas à realidade amazônica para garantir que essas amostras cheguem com qualidade e no menor tempo possível”, afirmou.
O fórum reforçou o compromisso da Sespa com o fortalecimento da Política de Atenção Integral à Saúde da Criança e com a ampliação do acesso ao diagnóstico precoce, contribuindo para respostas mais rápidas, redução de sequelas e melhoria da qualidade de vida das crianças paraenses e de suas famílias.
Texto: Caroliny Pinho/ Ascom Sespa