A agricultura familiar está ganhando novos caminhos de desenvolvimento no Oeste do Pará. Agricultores das comunidades Casinha e Ascenção, na região do Lago Sapucuá, em Oriximiná, passaram a integrar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal, ampliando a comercialização da produção local. Com a habilitação, cada produtor pode vender até R$ 10 mil por ano em alimentos. O avanço foi viabilizado por uma parceria entre a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), a Associação das Comunidades das Glebas Trombetas e Sapucuá (ACOMTAGS) e a Mineração Rio do Norte (MRN), que desenvolve ações de assistência técnica, capacitação e incentivo à produção sustentável nas comunidades.
O PAA é um programa federal, gerido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que visa promover o acesso à alimentação de pessoas em situação de vulnerabilidade e incentivar a produção da agricultura familiar. Para alcançar esse objetivo, o programa adquire, sem a necessidade de licitação, alimentos produzidos diretamente por agricultores familiares e os destina a entidades socioassistenciais, como creches, asilos, restaurantes populares, bancos de alimentos, unidades vinculadas à Central de Abastecimento (Ceasa) e ao Mesa Brasil, do Serviço Social do Comércio (Sesc).
A iniciativa também prioriza a inclusão produtiva de grupos historicamente vulnerabilizados, como povos indígenas, comunidades quilombolas e mulheres do campo. Estrutura que fortalece a segurança alimentar, amplia as oportunidades de geração de renda para pequenos produtores e impulsiona a economia dos municípios beneficiados.
Jéssica Naime, gerente-geral de Desempenho Social e Comunicação da MRN, entende que esse tipo de iniciativa contribui para a autonomia das comunidades, na construção de um desenvolvimento mais sustentável. “Mais do que ampliar o acesso aos alimentos, o programa gera oportunidades, valoriza o trabalho desenvolvido no campo e fortalece as cadeias produtivas locais, produzindo impactos positivos que alcançam as famílias, as comunidades e a economia da região”, destaca.
Para participar do programa é necessário ter a Carteira da Agricultura Familiar (CAF), documento emitido com apoio da Emater que permite o acesso a políticas públicas voltadas ao setor. A partir da entrada no Programa, os agricultores passaram a fornecer alimentos, ampliando as oportunidades de comercialização da produção e fortalecendo a economia das famílias rurais.
Para quem vive da produção rural, os resultados já podem ser percebidos. Entre os agricultores beneficiados com o PAA, está Lázaro Figueiredo de Souza, da comunidade Ascenção. Integrante do projeto de Apoio à Agricultura Familiar da MRN, o produtor afirma ter transformado sua realidade a partir do fortalecimento da produção rural. "Consegui construir minha casinha e oferecer oportunidades para os meus filhos. O que mais me orgulha é ver a MRN enxergar o pequeno agricultor e oferecer incentivo para que ele possa crescer e viver melhor".
Na visão da analista de Relações Comunitárias da MRN, Genilda Martins da Cunha, o resultado demonstra como a atuação integrada entre instituições e as comunidades fortalece o desenvolvimento local. "O acesso ao Programa de Aquisição de Alimentos amplia as oportunidades para os agricultores, garantindo um canal de comercialização com preços justos. Esse é um resultado construído a partir do trabalho conjunto entre a MRN, a ACOMTAGS, a Emater e as comunidades, com foco na geração de renda e no desenvolvimento sustentável”.Agricultura familiar como vetor de desenvolvimento
A habilitação dos produtores foi viabilizada por meio dos projetos de Apoio à Agricultura Familiar e de Sistemas Agroflorestais (SAFs), que integram o Programa de Educação Socioambiental da MRN. O modelo combina espécies florestais nativas, culturas agrícolas e, em alguns casos, criação de animais, buscando aumentar a produtividade sem abrir mão da conservação ambiental. Além da assistência técnica, são oferecidos cursos, oficinas e orientações sobre gestão das propriedades e diversificação da produção. Atualmente, 43 famílias das comunidades Boa Nova, Saracá, Casinha, Camixá e Lago Batata são atendidas. Em 2025, foram realizadas 305 ações, entre visitas técnicas, cursos, palestras e oficinas, que somaram 1.296 participações de agricultores e comunitários.