
Os recém-nascidos prematuros ou que tenham doenças crônicas e síndromes, do Hospital Materno Infantil de Marabá (HMI), agora possuem acesso ao imunobiológico Nirsevimabe, que atua contra infecções respiratórias causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), como bronquiolite e pneumonia. A aplicação do imunobiológico começou e é realizada após o nascimento ou agendada posteriormente na Sala de Vacina do hospital, que é o único local que disponibiliza a injeção.
Daiane Oliveira é médica pediatra neonatologista, que trabalha na UTI Neonatal do HMI. Ela explica que o imunobiológico é diferente de uma vacina e que é um avanço no cuidado com as crianças no período inicial da vida.


“É um grande salto em termos de saúde pública para a cidade de Marabá e região. Não é uma vacina, é o que a gente chama de anticorpo monoclonal. Então, é um anticorpo pronto. No momento que há a aplicação, em seguida a gente já tem um efeito. É um ponto importante porque a gente vai atuar na prevenção de doenças respiratórias, que são responsáveis por uma grande parte da mortalidade nessa faixa neonatal e pediátrica até dois anos de idade”, destaca a médica.
A pequena Ana Sofia nasceu com 36 semanas, no HMI. Ana Paula Sousa, a mãe, foi informada que a filha receberia o imunobiológico e a levou à Sala de Vacina do hospital. Ela lembrou que o primeiro filho, que hoje tem oito anos, ficou internado com pneumonia e, na época, não havia esse imunobiológico.


“É muito importante porque ajuda os nossos bebês que nasceram prematuros, que ficam imunes à bronquiolite, pneumonia. É muito importante para a gente receber isso gratuitamente. Mandaram mensagem e viemos para ela receber a injeção. Eu estava preocupada porque eu tive outro bebê e não tinha isso e ele tem oito anos. Então, a gente passou por uma fase e não tinha naquele tempo. Ele ficou internado aqui. Muito importante saber que ela está imune”, comenta.
Um bebê é considerado prematuro quando nasce antes de completar 37 semanas. Nesse sentido, o imunobiológico é necessário porque, nessa condição, a criança fica mais suscetível ao VSR e, consequentemente, a alguma infecção respiratória. Recém-nascidos que não são prematuros, mas que possuem cardiopatias, doenças respiratórias e pneumológicas, doenças crônicas e síndromes.
Caso os pais tenham dúvidas se os filhos encaixam-se nos parâmetros para receber o imunobiológico, podem procurar as Unidades de Saúde da Família (USF) para mais informações. Nos casos em que as crianças nasceram prematuras no HMI, no último ano, os pais também podem procurar a USF ou o próprio hospital para saber se há indicação para o recebimento da injeção.
As equipes do HMI passaram por capacitações para compreenderem mais sobre o funcionamento e administração do imunobiológico. A diretora assistencial do HMI, Ana Neri, comenta sobre a relevância de oferecer mais esse serviço para as mães atendidas no hospital.


“Nós somos, hoje, pioneiros na aplicação deste imunobiológico nas crianças que estão nascendo na nossa maternidade. É uma vacina que é primordial para a vida de uma criança. É assegurar para essas mães que vêm ter esse parto conosco saibam que não só é assegurado o parto, como essa criança, ao nascer aqui conosco. Essa mãe que vem para cá é acolhida, assistida, e esse bebê, da mesma forma, desse acolhimento, dessa assistência e desse cuidado, ele sai daqui vacinado”, pontua.




Texto: Ronaldo Palheta
Fotos: Paulo Sérgio Santos
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