
A alimentação escolar tem papel fundamental na promoção da segurança alimentar, no desenvolvimento dos estudantes e na valorização da cultura regional. No Pará, os investimentos realizados pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), têm fortalecido a oferta de refeições nutritivas e adequadas à realidade de cada território, incorporando alimentos tradicionais da culinária paraense ao cotidiano das escolas.
A política de alimentação escolar vai além do fornecimento de refeições. A iniciativa contribui para a permanência dos estudantes na escola, favorece o aprendizado e fortalece o sentimento de pertencimento ao reconhecer hábitos e tradições presentes na vida das famílias paraenses.
Na Escola Estadual de Tempo Integral Antônio Bezerra Falcão, em Ananindeua, essa proposta se traduz em um cardápio que inclui uma das combinações mais tradicionais da mesa amazônica: açaí com peixe. A refeição faz parte da rotina dos estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental e é uma das mais aguardadas pelas crianças.
A diretora da unidade, Laíse Cardoso, explica que os cardápios são acompanhados por nutricionistas da Seduc, garantindo equilíbrio nutricional e o respeito às características culturais da região. “Nossa merenda é acompanhada semanalmente pela nutricionista e por toda a equipe da Seduc. É uma demonstração do cuidado que o governo do Estado e a Secretaria de Educação têm com as nossas crianças. Percebemos esse carinho desde a formação do cardápio até a distribuição dos alimentos, sempre buscando valorizar a nossa cultura e fazer da escola uma extensão da casa dos alunos”, afirmou.
Segundo a gestora, a aceitação do cardápio regional é um indicativo de como a alimentação escolar pode contribuir para aproximar os estudantes do ambiente educacional. “É quase 100% de aceitação. Eles adoram. Comentam entre si, ficam esperando o dia chegar. É realmente uma festa para eles”, contou.
A presença de alimentos tradicionais no cardápio também reforça a proposta pedagógica da escola de tempo integral. Além das atividades em sala de aula, os estudantes vivenciam experiências ligadas à cultura local em diferentes momentos da rotina escolar, incluindo as refeições. “Como os alunos permanecem praticamente o dia inteiro na escola, quando servimos algo que faz parte do cotidiano deles, essa proximidade se fortalece ainda mais. Eles se sentem em casa”, acrescentou Laíse Cardoso.
Após o almoço, os estudantes participam de um período de descanso antes da retomada das atividades. As crianças menores permanecem até uma hora na sala de descanso, enquanto os alunos mais velhos contam com um intervalo de cerca de 30 minutos antes de retornar às aulas.
Cuidado no preparo
Nos bastidores da alimentação escolar, o trabalho das equipes de cozinha garante que cada refeição seja preparada com qualidade e segurança. Michelle, merendeira da escola, destaca o sucesso do cardápio entre os estudantes.
“Hoje estamos servindo açaí com peixe frito. Já é a segunda vez que fazemos esse cardápio e eles amaram. É uma refeição que faz parte da cultura paraense e que foi muito bem aceita pelas crianças”, disse.
Ela explica que o preparo segue orientações de higiene e manipulação dos alimentos, desde o processamento do açaí até a finalização do peixe. “O açaí chega congelado, fica de molho de um dia para o outro e depois é batido aqui mesmo na escola. O peixe é preparado com todo cuidado para oferecer uma alimentação saborosa e de qualidade para os alunos”, relatou.
Entre os estudantes, a aprovação é evidente. Aos seis anos, Davi Miguel Souza Barreto comemora quando o cardápio inclui a tradicional combinação paraense. “Eu gosto muito. Quando tem açaí eu fico feliz”, resumiu.
O colega Kevin Ferreira também aprova a refeição. “Eu gosto do peixe porque ele fica crocante. Como tudinho”, afirmou.
Investimento e fortalecimento da produção local
A valorização dos alimentos regionais integra a política de fortalecimento da alimentação escolar desenvolvida pelo Governo do Pará. Por meio do Programa Estadual de Alimentação Escolar (PEAE), o Estado ampliou os investimentos destinados à merenda, garantindo refeições mais diversificadas, nutritivas e alinhadas à realidade alimentar dos estudantes paraenses.
O Pará promoveu o maior aumento da história no valor per capita destinado à alimentação escolar, elevando o repasse estadual de R$ 0,36 para R$ 1,50 por estudante. Somado ao recurso federal do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o investimento contribui para a ampliação da oferta de refeições de qualidade e para a inclusão de alimentos que fazem parte da cultura alimentar de cada região.
Além de garantir segurança alimentar aos estudantes, a política também fortalece a agricultura familiar e impulsiona a economia local. Produtos como açaí, frutas regionais e outros alimentos produzidos por agricultores paraenses passam a integrar o cardápio escolar, promovendo uma alimentação saudável e incentivando a produção local.
Na Escola Antônio Bezerra Falcão, o açaí com peixe servido no almoço representa mais do que uma refeição. A iniciativa demonstra como a alimentação escolar pode contribuir para o desenvolvimento integral dos estudantes, fortalecer vínculos com a cultura amazônica e transformar a escola em um espaço de aprendizagem, acolhimento e valorização da identidade paraense.
Texto de Amanda Castro - Ascom/Seduc
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