
A Secretaria Municipal de Saúde de Marabá (SMS) promoveu uma reunião com diferentes órgãos municipais e do Poder Público para discutir a elaboração de um Plano Municipal de Enfrentamento ao HIV/Aids. O encontro ocorreu na sede do Ministério Público, na tarde desta sexta-feira, 21.
O plano surgiu a partir de dados divulgados pelo Ministério da Saúde por meio do Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2025, que apontou Marabá ocupando a segunda colocação no ranking nacional do índice composto relacionado ao vírus e à doença. O índice de Marabá foi 7,241, atrás apenas da cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (7,598) entre as cidades com mais de 100 mil habitantes.
O índice é calculado a partir de dados cruzados sobre diagnósticos tardios, mortalidade, detecção em menores de 13 anos e transmissão vertical. Em 2025, foram registrados 168 casos, o maior da série histórica. Até julho de 2026, foram 87 casos.
Por ser um polo da região, o Serviço de Atendimento Especializado e Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE/CTA) recebe usuários de mais de 20 município. Segundo dados do serviço, mais de 2 mil pessoas realizam a terapia antirretroviral, entre os municípios atendidos.
“Inicialmente discutimos internamente estratégias em busca de solução rápida e sólida para o problema, então vimos a necessidade de fazermos o Plano Municipal de Enfrentamento ao HIV. Hoje, trouxemos essa proposta a ser construída coletivamente, com outras secretarias e órgãos de interesse para que pudéssemos nos enxergar no processo e nos fortalecer na construção de uma reposta rápida”, ressaltou Lícia Souza, secretária de Saúde de Marabá.


O plano busca concentrar esforços que atuem nas diversas frentes de combate ao vírus: prevenção combinada, testagem e diagnóstico precoce, vinculação e permanência no cuidado do paciente que convive com o vírus, supressão viral e monitoramento laboratorial, o fim da transmissão vertical do vírus, proteção infantil, além de campanhas de informação com metas e avaliação que apresentem os resultados do que é colocado em prática.
Segundo Kelsilene Teixeira, coordenadora do SAE/CTA, há um trabalho para fazer com que alguns dos serviços disponibilizados pelo centro possam ser descentralizados.
“A intenção maior é justamente chamar atenção da população para a necessidade da testagem rápida, desse envolvimento, dessa participação, desse cuidado da saúde. A ideia, inclusive do Ministério da Saúde, é descentralizar as ações de saúde. Essa testagem chega mais próximo do público, então dá mais acesso, claro, e traz uma eficácia muito maior no sentido do tratamento. Quanto antes esse usuário chegar para fazer o tratamento devido, melhor, não só para ele, como para toda a população”, pontuou.


Nesse sentido, a Atenção Básica é o caminho para aproximar esses serviços da população. Atualmente, as Unidades de Saúde da Família (USF) possuem disponibilidade de testagem rápida. A ideia é, mais adiante, disponibilizar também as Profilaxias Pré e Pós-Exposição, PrEP e PeP.
“Esse trabalho começou a ser intensificado com várias ações, começando pelo Extramuro, indo para todas as unidades básicas. O principal objetivo é prevenir para evitar o problema maior. Hoje, estamos com as nossas unidades básicas com a equipe preparada para fazer todos os testes rápidos. A população pode procurar, é portas abertas”, explicou Ângela Assunção, diretora da Atenção Básica da SMS.


Também participam dos grupos de trabalho do Plano Municipal de Enfrentamento ao HIV as secretarias de Educação, Comunicação, Cultura, Esporte e Lazer, Assistência Social, Turismo, Ministério Público, Polícia Militar e o 11 Centro Regional de Saúde.
Nas próximas semanas, uma campanha institucional também será liberada com informações e orientações sobre prevenção e combate ao HIV.






Texto: Ronaldo Palheta
Fotos: Sara Lopes
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