
Em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado anualmente em 2 de abril, a Prefeitura de Marabá, por meio do Núcleo de Atendimento Especializado a Alunos com Transtorno do Espectro Autista (Naetea) e da Coordenação de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação (Semed), realizou na manhã desta quarta-feira o II Seminário “Autonomia se constrói com Apoio”.
O evento, sediado no Teatro Municipal Eduardo Abdelnor, reuniu especialistas, gestores, profissionais da educação e saúde, além de famílias atípicas, para debater estratégias de inclusão e os desafios crescentes no atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O seminário destacou a importância da intersetorialidade, a união entre as secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social, para garantir que o suporte ao aluno com TEA seja integral. Segundo Thais Mendes, coordenadora de Educação Especial da Semed, Marabá tem se esforçado para acompanhar a crescente demanda.


“Nada se constrói só. O suporte pedagógico que a educação oferece conta com mediadores, cuidadores e profissionais das salas de recursos. Queremos ampliar esses serviços e já estamos à procura de novos espaços para levar o Naetea a outros núcleos da cidade”, afirma Thais.
Atualmente, o Naetea atende 130 crianças diretamente, mas o sistema educacional do município abrange um número muito maior. O Secretário de Educação, Cristiano Lopes, revelou dados impressionantes sobre o crescimento da rede: em cinco anos, o número de alunos matriculados dentro do espectro saltou de cerca de 500 para mais de 2.500 estudantes.


“Marabá já é modelo nas regiões Sul e Sudeste do Pará. Além do apoio de estagiários e mediadores, estamos expandindo a estrutura física. Esta semana fechamos o aluguel de um novo espaço na Folha 32, Nova Marabá, que funcionará como uma nova unidade do Naetea”, anuncia o secretário.
O seminário contou com um ciclo de palestras ministradas por nomes de referência como a Dra. Lucélia Cavalcante (Vice-reitora da Unifesspa); Brenda Xavier (Neuropsicóloga); Dra. Andressa Pereira (Neuropediatra); Rodrigo Gentil (Terapeuta Ocupacional); Alicia Flávia (Fonoaudióloga).
Além do debate técnico, o público se emocionou com apresentações culturais de música e dança protagonizadas por alunos do Naetea, do CAP-DV e de escolas da rede municipal.
O Olhar de quem cuida e ensina
Para os profissionais que atuam na ponta, como Ana Alice Souza, professora especialista da Escola Municipal Ida Valmont, o seminário é essencial para a formação continuada.


“Trabalhamos como formiguinhas, levando o conhecimento técnico para o professor da sala comum e para os pais. Só na nossa escola, atendemos 70 alunos na sala de recursos”, pontua.
A importância do diagnóstico e da identificação também foi um ponto alto. A professora Tássia Letícia da Silva, que atua no suporte motor, social e cognitivo, compartilhou um depoimento emocionante sobre como o trabalho na educação especial mudou sua própria vida.


“Eu me encontrei na sala de recursos. Foi observando meus alunos que descobri meu próprio autismo. Recebi o diagnóstico tardio aos 30 anos, o que ajudou também minha família. Hoje, uso minha experiência para dar o suporte necessário para que essas crianças se desenvolvam.”
Números e Futuro



Texto: Fabiana Alves
Fotos: Paulo Sérgio Santos
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