
Nesta segunda-feira (29), o governo do Pará participou da abertura da II Semana do Clima da Amazônia, consolidando Belém como um dos principais espaços de articulação para a agenda climática da região. Realizado no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, o evento reúne representantes dos governos federal, estaduais e municipais, organismos internacionais, instituições de pesquisa, setor privado, povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares para discutir estratégias voltadas à implementação dos compromissos assumidos durante a COP30 e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Promovida em um momento estratégico para a agenda ambiental brasileira, a programação busca transformar os debates em ações concretas nos territórios amazônicos, com foco em temas como bioeconomia, financiamento climático, restauração florestal, adaptação às mudanças do clima e fortalecimento das cadeias produtivas da sociobiodiversidade.
Na abertura do evento, Sônia Bridi, jornalista brasileira conceituada e reconhecida internacionalmente por matérias sobre meio ambiente e mudanças climáticas, esteve na abertura com o painel “Terra: Ainda temos tempo”.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) participa da programação técnica e institucional, apresentando iniciativas desenvolvidas pelo Estado que posicionam o Pará como referência nacional na construção de políticas públicas voltadas à bioeconomia, ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono e à valorização da floresta em pé.
Camille Bemerguy, secretária-adjunta de Bioeconomia da Semas, falou sobre a oportunidade do mundo olhar pra Amazônia. “A gente viveu agora um momento de uma virada de chave importante onde a Amazônia deixou de ser vista somente como um território de conservação e acima de tudo como um território onde sim, é possível construir um novo modelo de desenvolvimento que une conservação que une o desenvolvimento econômico que une inclusão e que une mais justiça social. Essa é uma oportunidade única que a gente não pode perder esse compromisso, essa ação e esse olhar pro mundo, por isso que ter uma semana do clima na Amazônia é tão relevante”, completou.
Cooperação para a Amazônia
A abertura do evento também destacou a importância da atuação integrada entre os estados da Amazônia Legal e da cooperação entre governos, sociedade civil, setor produtivo e organismos internacionais para acelerar a implementação das políticas climáticas.
Vanessa Duarte, secretária-executiva do Consórcio da Amazônia Legal, comentou sobre a participação em eventos internacionais e da relevância de se trazer essas agendas para a Amazônia.
“É muito importante ter isso no nosso território. A gente costuma participar das Semanas do Clima de Londres, da Semana do Clima de Nova Iorque, da Semana do Clima de Bruxelas e agora nós temos a nossa Semana do Clima da Amazônia. Ela vem se consolidando cada vez mais com uma agenda muito importante. A gente está muito feliz de poder recepcionar pessoas do Brasil inteiro, do mundo inteiro aqui.”, comentou.
Entre os temas debatidos está o fortalecimento da bioeconomia como estratégia para geração de renda, conservação da biodiversidade e ampliação das oportunidades para povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, reconhecendo esses grupos como protagonistas das soluções climáticas.
Alana Dias da Silva, representante da agricultura familiar do município de Altamira, comentou sobre essa relação com o território e o futuro das comunidades. “Enquanto agricultora que sou, representante de uma comunidade, estar aqui hoje, participando de um momento tão único, que é a Semana do Clima, para a gente estar levando essa riqueza, para estar trabalhando dentro da nossa comunidade, a orientação, a preservação, para que a gente consiga, não para a gente, só para a gente, mas para o nosso futuro, para nossas descendências. Então, levar essa educação sobre o meio ambiente é algo extraordinário.”, disse Alana.
A programação da II Semana do Clima da Amazônia segue até sexta-feira (4), reunindo painéis, oficinas e encontros voltados ao compartilhamento de experiências, inovação, financiamento e construção de parcerias capazes de impulsionar a implementação da agenda climática na região.
Ao reunir iniciativas dos setores público, privado e da sociedade civil, o evento também reforça a importância do conhecimento tradicional, da inovação e do fortalecimento dos empreendimentos da sociobioeconomia para um modelo de desenvolvimento sustentável na Amazônia.
Joanna Martins, diretora do Instituto Paulo Martins e do Projeto Tekoá, falou da necessidade de se ter uma discussão Global na floresta. “Ter uma Semana do Clima na Amazônia, em Belém, é fundamental para que a gente amazônica tenha voz nesse debate, nessa discussão, que é global, mas que depende muito da gente que está aqui. A gente está aqui na exposição do Tekoá, que mostra, por exemplo, como as nossas comunidades, ao produzirem matéria-prima, podem transformar esses alimentos em produtos e isso gera economia, uma economia de transição. Então, isso são realidades locais que, muitas vezes, quando esses debates acontecem fora daqui, em outros países, dificilmente as pessoas conseguem enxergar”, frisou.
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